Rabiscando as paredes do Sótão
Rabisco paredes a lápis para que a borracha encontre utilidade quando eu errar.
Dom de Frustração
sexta-feira, 28 de março de 2008
"Se você tem um dom de frustração e um senso profundo de que o mundo está um caos, agradeça a Deus por isso; não é todo mundo que tem o dom de visão. Isso significa também que você tem a responsabilidade de nos liderar a novos caminhos. Reconhecer que algo está errado é o primeiro passo em direção a mudar o mundo. Então para aqueles dentre nós que quase desistiram da igreja, que possamos ser confortados com as palavras de Santo Agostinho: A igreja é uma meretriz, mas ela também é minha mãe. Ela é uma confusão e tem muitos filhos ilegítimos. Mas ela é também nossa mãe, dela nascemos e ela nos deu o suficiente da verdade para que possam fazer perguntas…" - Shane Claiborne em The Irresistible Revolution
Retirei a citação acima do excelente Blog do revBaggio e, como já mencionei em comentário no post 'igreja meretriz?', não sei se concordo com 100% do que Shane Claiborne quer dizer com este texto, principalmente no que diz respeito a manter pontes com a igreja estabelecida. E quando digo que "não sei se concordo", é porque também não discordo. Na verdade, ainda estou mastigando o texto, e confesso ter dificuldades (medo) de engolí-lo. Talvez Claiborne não tenha compartilhe das mesmas experiências eclesíásticas que eu, ou talvez eu precise reagir de forma diferente às minhas experiências eclesiásticas.
Mas meu destaque vai pra primeira parte do parágrafo de Claiborne. Me sinto desafiado a assumir o facão e abrir novamente a trilha que já foi aberta um dia. Porém, pela falta de uso, o mato cresceu e aranhas formaram suas teias entre as plantas. Apesar de acreditar que um primeiro passo já quebra a maior das barreiras, a minha própria, eu ainda não me sinto à vontade para tal passo.
Me sinto sozinho, e quando me sinto assim, me lembro das palavras de Jesus:
"Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto". - João 12:24
Pode haver cristão sem igreja?
terça-feira, 25 de março de 2008
"Se não fosse nescessário a frequência na igreja, Deus não teria mandado Moisés
construir o Tabernáculo. É portanto nescessário sim. Na igreja é que se louva á
Deus e temos comunhão com outros irmãos e principalmente damos dízimos e
participamos da Santa Ceia sem a qual não temos parte com Deus."
Texto retirado da comunidade Igreja Emergente no Orkut em resposta a pergunta "Você frequenta alguma igreja?".
Acho essa frase um belo exemplo de como existem cristãos que não conhecem a Palavra. Baseados nessa frase, poderiamos dizer que nossa missão no mundo é construir tabernáculos, louvar a Deus e ter comunhão com nossos irmãos apenas dentro deles, e "principalmente" darmos dízimos e participarmos da Santa Ceia, porque sem ela nada nos faria chegar até Deus.
É triste dizer, mas tem muita gente cumprindo essa missão.
Reconhecendo a Matriz Emergente
O Renovatio Café está organizando um encontro no dia 29 de março, às 15hs, no Projeto242, para bater um papo a respeito do tema "Reconhecendo a Matriz Emergente".
Dá uma olhada no convite, e aparece por lá que eu tenho certeza que vai ser interessante..
Profissionais da Música
terça-feira, 18 de março de 2008
A história não é nova. É que nem novela das 8, mudam os personagens mas a história é a mesma.
Dessa vez os envolvidos são Cassiane e MK Publicitá, dois "gigantes" da indústria fonográfica gospel no Brasil. Veja nota publicada no site da Cassiane que é mantido pela MK Publicitá.
A cantora CASSIANE surpreendeu a Gravadora MK e o mercado fonográfico procurando a justiça para rescindir o contrato de cessão remunerada sobre interpretações artísticas que mantém com a mesma.
Antes da decisão oficial da justiça, CASSIANE lançou o CD "FAÇA DIFERENÇA" em dezembro de 2007, em desrespeito ao contrato legal e vigente com sua gravadora.
Valendo-se de seu direito, a MK procurou a justiça para ressalvar seus direitos, o que conseguiu através de liminar exarada pelo Sr. Dr. Juiz de Direito da 1ª Vara Cível da Ilha do Governador, que ordenou a imediata retirada do mercado do CD "FAÇA DIFERENÇA", sob pena de multa diária de R$ 5,00 (cinco reais) por CD encontrado no mercado.
A MK lamenta o ocorrido, mas fez-se necessário defender os seus legítimos direitos e de seu elenco de cantores, grupos musicais e compositores.
Só espero que um dia fique bem claro o objetivo central desse ramo da indústria fonográfica, e que isso não seja visto de forma ruim, afinal, digno é o trabalhador de seu salário, mas que enxerguemos da forma correta. Trata-se de profissionais da música, e não de "servos do Senhor ungidos para ganhar almas através da música", que muitas das vezes não chegam nem a agir profissionalmente e cumprir seus acordos.
Neo-catolicismo
quarta-feira, 12 de março de 2008
Estava mesmo a muito tempo a fim de escrever algo sobre como a igreja evangélica deixou de ser protestante e hoje já se parece muito com a igreja católica dos tempos medievais. Nada contra o catolicismo, mas é apenas uma constatação de que toda a instituição religiosa está sujeita a corrupção pela ganância, pelo poder nas mãos erradas, e sobretudo, pela falta de arrependimento.
A igreja brasileira reescreve em letras maiúsculas a história de Saul nos tempos modernos, trocando a obediência à Palavra, pelo sacrificio e pelo louvor que fica bonito aos olhos humanos, mas nem sempre aos olhos de Deus.
"O crescimento vertiginoso de igrejas neopentecostais que pregam a prosperidade só pode ser explicado pela idéia equivocada que o favor de Deus se mede e se compra pelo dinheiro, pelo gosto que os evangélicos no Brasil ainda têm por bispos e apóstolos, pela idéia nunca totalmente erradicada que pastores são mediadores entre Deus e os homens e pelo misticismo supersticioso da alma brasileira no apego a objetos considerados sagrados que podem abençoar as pessoas. Quando vejo o retorno de grandes massas ditas evangélicas às práticas medievais de usar no culto a Deus objetos ungidos e consagrados, procurando para si bispos e apóstolos, imersas em práticas supersticiosas e procurando obter prosperidade material por meio de pagamento de dízimos e ofertas me pergunto se, ao final das contas, o neopentecostalismo brasileiro e sua teologia da prosperidade não são, na verdade, filhos da Igreja medieval, uma forma de neo-catolicismo tardio que surge e cresce em nosso país onde até os evangélicos têm alma medieval".
Citação retirada do blog O tempora, o mores! via Tomei a pílula vermelha.
E se as pessoas não me ouvissem?
segunda-feira, 3 de março de 2008
Garimpando alguns blogs gringos, me deparei com uma postagem do Scot McKnight no Jesus Creed. O post é curto. Pelo que entendi, faz parte de uma série de estudos ou algo assim, não importa. O que importa é que ele fala sobre Mateus 21:28-31.
Que acham acerca disto? Um homem que tinha dois filhos disse ao mais velho: 'Filho, vai trabalhar hoje na herdade . 'Não vou , respondeu. Mas, pensando melhor, sempre acabou por ir. Depois, disse ao mais novo, 'Vai tu também! , e ele respondeu, 'Sim senhor, vou já , acabando por não ir. Qual dos dois obedeceu ao pai? Responderam: O primeiro, sem dúvida. Depois explicou o que queria dizer com essa ilustração. Garanto-vos que os homens maus e as mulheres de má vida entrarão antes de vocês no reino de Deus. Porque João Baptista disse-vos para se arrependerem e se voltarem para Deus, e vocês não quiseram, ao contrário de muitos homens maus e mulheres dessas que se arrependeram. Apesar de terem visto isso, não quiseram arrepender-se, e assim nunca chegaram a crer. (O Livro)
Parei para pensar em quantas vezes minha boca se comprometeu com algo e que meu agir não foi na mesma direção. Sabe do que estou falando? Quantas vezes me rotulo um cristão apenas por ter a intenção de ser um, mas não ajo como um seguidor de Cristo? Afinal "quem é e quem não é", nunca dependeu do que sai de nossas bocas. Uma árvore é conhecida pela qualidade de fruto que dá. Todos podemos nos denominar macieiras, mas de qual árvore comemos a maçã? Da que dá bons frutos é claro!
E se não tivéssemos ouvidos para ouvir o que as pessoas dizem de si mesmas? Como um cristão comunicaria a alguém que crê em Cristo se não fazendo como ele?
As vezes tenho a impressão que nós cristãos nos apegamos muito a textos que reforçam a idéia de que a salvação não vem de nós, e que nada podemos fazer para obtê-la, até para que ninguém ache glória ou valor algum em si mesmo, mas deixamos de lado a idéia de que é preciso crer. É preciso ter fé. Porém a fé é morta quando não se manifesta através de atitudes.
Que eu seja autêntico o suficiente para que as palavras da minha boca não sejam mais importantes para mim que as atitudes que tomo, ou que o meu agir, porque é assim que as pessoas me vêem, através do meu agir. Palavras não se sustentam com intenções, mas sim com atitudes, e Deus enxerga minhas intenções sim, inclusive quando tento intencionalmente mostrar algo que não vivo.
O Caminho do Reino é através do arrependimento e da fé, e nem todo aquele que diz fazer pregações inspiradas, ou expulsa demônios, ou opera muitos milagres têm lugar no Reino, e isso inclui a mim.
"Vou falar, mas é pra orar, viu?"
sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008
Essa eu li na edição #40 do excelente PavaZine, na seção Orkutosco.
"Essa comunidade é pra você que já foi vítima das fofocas que rolam nas igrejas evangélicas de todo o Brasil e pra você também que conhece muitos fofoqueiros na igreja como eu conheço e que esquecem que têm filho e metem a língua nos filhos dos outros."
trecho da descrição da comunidade Vítimas de crentes fofoqueiros no Orkut O grupo tem 91 participantes.
Não que eu não tenha motivos, até porque particularmente não me sinto vítima desse tipo de problema mas, ouvindo a voz do 'bom senso', optei por não me inscrever na comunidade.
Desaprendendo a Cada Dia
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
Você já tentou plantar uma igreja? Não penso que esta seja uma aventura muito comum no meio cristão, mas você já fez parte de um grupo que tentou se estabelecer como igreja?
Pois é, eu já. Alguns anos atrás (não muitos), fiz parte de uma pequena igreja que tentou se estabelecer no bairro da Saúde, em São Paulo. Estávamos ligados a uma denominação muito famosa no Brasil, e mesmo eu não sendo muito fã das doutrinas e do que acreditava esta denominação, me apaixonei pelo desafio de plantar uma igreja.
As reuniões aconteciam num pequeno salão no primeiro andar de uma casa de três andares onde moravam o pastor e sua família. Não demorou muito para que enfrentássemos problemas financeiros relacionados ao aluguel, ao salário do pastor devido aos gastos naturais de uma família que precisa de um sustento, às dívidas que ia se acumulando, e aos dízimos que praticamente não existiam, pois éramos jovens e, os que trabalhavam, ganhavam pouco. O final desta aventura foi um monte de pessoas magoadas umas com as outras e indo cada um para o seu canto.
Pouco tempo depois me envolvi novamente com a idéia de plantar uma igreja. Desta vez era diferente, não estávamos ligados a nenhuma denominação, e tínhamos mais claro a visão do que queríamos fazer. As reuniões começaram na casa do nosso pastor e em pouco tempo tínhamos cerca de 40 pessoas frequentando as reuniões dominicais. Era muito bom.
Começamos a sentir necessidade de uma estrutura melhor e maior, e em pouquíssimo tempo nós tínhamos aparelhagem de som de ponta, instrumentos musicais, cadeiras, e um salão de uns 100m². Não demorou também para que começássemos a entender que as pessoas precisavam contribuir para que aquilo tudo fosse mantido, e nosso coração, aos poucos, se voltou para essa realidade financeira.
Desta vez o final não foi tão trágico. Na verdade não terminamos o projeto definitivamente. Voltamos atrás e hoje nos reunimos em um grupo bem menor esporadicamente para comer, beber e conversar bastante. Gostei bem mais deste "final".
"O problema real da Igreja não está no fato dela ser rica demais, o problema real é que ela tornou-se institucionalizada demais. O investimento necessário à sua manutenção é gigantesco. Esta igreja tem as características de um dinossauro e de um navio de guerra. Está tão carregada por instalações e programações fora de seu alcance que foi absorvida por problemas de manutenção e de sobrevivência. A inércia da máquina é tal que as ilações financeiras, legalidades, canais de organização, predisposições, todas estas coisas se fixaram no sentido de continuar e realizar o status quo. Qualquer um que prosseguir nesta direção terá a maior parte de sua energia esgotada antes de chegar à linha de batalha do inimigo". - John A.T. Robinson
Não desiti do plano de plantar uma igreja, mas sinto que ainda preciso desaprender muita coisa para tornar isso uma realidade.
O Discipulado
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Fonte: matwon
Fumaça Arisca
quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008
Pra quem não fuma, nada pior do que estar em um abiente fechado junto a um (ou pior, mais que um) fumante. A boa notícia é que o governo pretende enviar ao Congresso um pacote de medidas para diminuir a incidência de doenças decorrentes do hábito de fumar, e dentre as ações previstas, estão a proibição de fumódromos em locais fechados e o aumento do preço do cigarro. O obejtivo é dificultar a aquisição de maços pela população.
Agora alguns dados interessantes para quem curte números.
- No Brasil são 309 mil hectares dedicados ao cultivo de tabaco - o equivalente a 0,45% de toda área disponível para a agricultura. asdasdas dasd asd asd as das da das dasd a
- No total, mais de 15 bilhões de cigarros são fumados por dia em todo o mundo.
- De acordo com informações da OMS, um maço custa, no Brasil, o equivalente a US$ 0,80 - o sexto cigarro mais barato do mundo. Na Dinamarca, o mesmo maço não sai por menos de US$ 4,00.
- No total, mais de 15 bilhões de cigarros são fumados por dia em todo o mundo.
- O gasto com cigarros é proporcionalmente maior nas classes mais pobres do que naquelas de maior renda - respectivamente, 1,14% e 0,23% do orçamento de cada uma é dispendido com o produto.
- No Brasil gasta-se, na média, mais com fumo (R$ 10,20 por mês) do que com jornais, livros e revistas (R$ 5,81), segundo informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Olha só o que diz a reportagem do Terra:
"Países como Itália, Irlanda, Portugal, Alemanha e Grã-Bretanha já proibiram o fumo em lugares públicos como bares, restaurantes e casas noturnas. Medidas semelhantes foram tomadas por cidades como Nova York e Washington D.C., nos Estados Unidos. Em Tóquio, no Japão, mais de 90% dos táxis vetaram o fumo a seus passageiros. Já na Espanha, a proibição se estende para o litoral: não é permitido fumar nas praias do país. No início de 2008, uma lei que proibe fumar em locais fechados - semelhante ao pacote proposto pelo governo brasileiro - foi aprovada na Turquia, onde cerca de 60% dos homens e 20% das mulheres são fumantes. E nem mesmo os franceses, cuja cultura da fumaça foi glamourizada em centenas de filmes do século passado, escaparam: desde o começo deste ano, a França impôs multas pesadas a quem der um trago em locais públicos."
E no que diz respeito à luta dos fumantes arrependidos em parar de fumar, o BlueBus destacou um produto que promete a fumaça feita pelo cigarro, mas sem poluir e sem alcatrão. O cigarro, ou a versão charuto, é , na verdade, uma cápsula metálica na qual é inserido o cartucho de nicotina. A ideia é que o fumante que quer parar passe por etapas em que vai trocando os cartuchos para versões com menos nicotina até chegar a um que não tem a substância. Custa o equivalente a U$ 76.
Quanto a mim, vou continuar esperando a lei vingar. Enquanto isso, exerço meu direito de ir e vir, evitando lugares fechados públicos que permitam os fumantes saciarem seus vícios.
Fontes: Terra Magazine, BlueBus
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