Rabiscando as paredes do Sótão

Rabisco paredes a lápis para que a borracha encontre utilidade quando eu errar.

Jesus no Atacado

domingo, 29 de junho de 2008

Recentemente conheci o interessante blog JESUS NO ATACADO EM ALTA ESCALA. Trata-se de um blog que relaciona as estratégias de marketing de grandes empresas com o cristianismo, trazendo reflexão de uma forma bem humorada.

O blog é bem estruturado e consegue manter a disciplina de ter posts semanais, sempre anunciando o nome do próximo post ao final do post atual.

Vale a visita.

Reinventando a Fé

quinta-feira, 26 de junho de 2008

Em matéria no GospelMais, uma pesquisa destaca o fato de uma nova forma de religiosidade estar crescendo entre os jovens brasileiros. São os crentes sem religião, que valorizam a pratica da fé, mas sem se vincularem a uma igreja.

Segundo a matéria, uma pesquisa do teólogo Jorge Cláudio Ribeiro, da PUC-SP, ainda inédita e que será apresentada no livro "Religiosidade Jovem", indica que, de 520 universitários entrevistados, de 17 a 25 anos, 32% são "jovens sem religião", sendo que, dos jovens sem religião, 12,2% se declararam agnósticos ou ateus e 19,8% crentes sem religião. O tema é assunto de comportamento da revista IstoÉ com chamada de capa para a matéria "A fé da juventude".

O que chama a atenção é o número dos chamados crentes sem religião. Segundo a antropóloga Regina Novaes, para a IstoÉ, "O espírito buscador do jovem não procura uma instituição religiosa que o enquadre, mas uma doutrina onde ele se encontre", ou seja, o jovem não está mais tão ligado a instituições religiosas, mas a um estilo de vida que ele acredite que possa desenvolver sua fé.

Segundo matéria da IstoÉ, "os símbolos religiosos, antes difundidos na igreja e no âmbito familiar, circulam mais por outras áreas de domínio público", como blogs, camisetas, feiras, na moda. O que acompanha a necessidade de qualquer jovem de se identificar com algo, se relacionar, e expressar o que vive, o que sente. Talvez este seja um sinal de que as instituições religiosas não têm oferecido esta oportunidade aos jovens.

Eu continuo acreditando na igreja, e ainda mais na Igreja, mas pesquisas como esta mostram a necessidade de a igreja brasileira se reinventar, de forma criativa, que possibilite às próximas gerações serem livres do pecado, ter acesso a Deus e expressarem isso, sem necessariamente abrir mão de todo o aspecto cultural que nos cerca. Um posicionamento errôneo da igreja hoje, irá refletir decisivamente na vida ou na morte das instituições cristãs do Brasil.

A Luz da Escuridão

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Fico imaginando quantas conclusões são possíveis numa análise mais profunda deste curta-metragem, sem que uma invalide a outra.

O video The Light of Darkness (A Luz da Escuridão) traz a possibilidade de várias reflexões sobre os mais diversos assuntos. E para não engessar o raciocínio de quem assiste ao vídeo, deixo para cada um a sua própria análise. Se possível, compartilhe seus pensamentos após assistir ao vídeo.

Mais Livros Sobre Igreja Emergente

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Complementando o assunto levantado em meu último post. No Renovatio Café é possível encontrar algumas boas recomendações de leituras, algumas delas em português, relevantes para quem tem interesse em assuntos relacionados a igreja cristã no mundo pós-moderno, o movimento emergente e a plantação de igrejas culturalmente relevantes.

As recomendações são do Luis Fernando e do Sandro Baggio. E vale a pena dar uma olhada no que eles tem a dizer em seus blogs.

Os Top 5 livros de Andrew Jones

terça-feira, 10 de junho de 2008

Andrew Jones, autor do blog Tall Skinny Kiwi, em resposta a um reporter estadunidense, postou sua lista dos 5 melhores livros lançados em seu país sobre o igreja emergente. Ele preparou um texto repleto de referências à igreja emergente nos EUA, como blogs, artigos, centros teológicos e pessoas-chave, segundo a sua ótica.

Apesar do contexto americano, muitas das referências propostas por Andrew Jones são bastante interculturais. Acredito que seja um material útil para nós, brasileiros, termos como referência para nossas pesquisas e práticas emergentes. Minha intenção é reproduzir todo o texto aos poucos aqui no blog.

Abaixo vocês acompanham as indicações e comentários resumidos do Andrew Jones. A tradução é minha (me perdoem por isso).

Top-5:
  1. Emerging Churches: Creating Christian Community in Postmodern Cultures por Ryan Bolger e Eddie Gibbs. Grandes líderes entrevistados, conclusões bem informadas, alguns poucos pontos de desentendimento (doutrina É REALMENTE importante para nós) mas ele é, de longe, o melhor livro.
  2. The New Conspirators, Creating the Future One Mustard Seed at a Time, por Tom Sine. Ótimo livro de um líder conhecido que provavelmente tem mais perspectiva do movimento que qualquer pessoa. O livro de Tom é cheio de exemplos e irá ampliar e aprofundar o seu entendimento da IE.
  3. The Emerging Church, de Dan Kimball. Amplamente recebido e apreciado.
  4. The Church on the Other Side, de Brian McLaren, foi, para muitos de nós, o primeiro livro que disse aquilo que nós queriamos dizer, ou pelo menos o que estávamos pensando. Brian pode ser uma figura controversa no meio eclesiástico e eu não conheço ninguém que está de acordo com tudo o que ele diz, mas ele tem constantemente verbalizado questões emergentes da Igreja pela última década, com espantosa clareza. Brian tem também um livro mais recente, chamado Everything Must Change: Jesus, Global Crisis, and a Revolution of Hope, que trata da ação social e do pensamento por trás dela.
    Brian McLaren pode ser considerado o mais visível porta-voz para o movimento nos EUA. Mesmo Larry King estando mal informado quando chamou Brian de "O líder do movimento cristão emergente", Brian é sem dúvida um importante líder deste movimento, depois de ter sido uma parte do Young Leaders Network nos anos 90 comigo e com mais uma dezena de pessoas, e provavelmente já publicou mais livros do que qualquer um de nós. Embora eu não tenha publicado nenhum de modo que isso não diz muito.
Na corrida pelo 5º lugar:
  • The New Christians: Dispatches from the Emergent Frontier, de Tony Jones lista debates filosóficos e teológicos que têm caracterizado a maior parte deste movimento intelectual nos EUA e vale a pena ler.
  • Revolution, por George Barna, o mais informado resumo da igreja emergente com uma menção ao movimento da Igreja Caseira e comunidades on-line de fé que muitas vezes ficam de fora desses livros. A contagem de Barna das igrejas emergentes é muito elevada neste livro e alguns questionam isso, mas ele desenha a linha mais ampla do que outros. Eu concordo com ele e conferi os números de sua Igreja Caseira com especialistas nos EUA e eles também concordam.
  • The Irresistible Revolution, de Shane Claibourne. Expressa o coração do ministério incarnacional entre os pobres e marginalizados, que é onde muitos ministérios emergente-missionais têm a sua origem.
  • The Great Emergence, de Phyllis Tickle: Melhor cenário histórico para a igreja emergente, mas ainda não foi lançado. Livro fantastico.
  • The Tangible Kingdom: Creating Incarnational Community: Melhor descrição de uma missional, néo-monastica, organica igreja emergente.
Também: Rising From the Ashes: Rethinking Church, por Becky Garrison. Uma coleção de pensamentos dos principais profissionais do tema no mundo.

Vale mencionar: Já tem quase 40 anos, mas "The Emerging Church" de Bruce Larson e Ralph Osborne (1970) é incrivelmente preditivo e profético sobre este movimento no que é realmente mais velho do que todo mundo diz. Infelizmente, o seu prazo de validade o desqualifica de ser uma autoridade sobre este movimento atual.

O livro usado na maior parte dos seminários dos EUA para treinar estudantes em ministérios da igreja emergente, do que eu já li, é na realidade de um australiano e um sul-africano que agora vivem nos EUA chamados Alan Hirsch e Aussie Mike Frost. O livro "The Shaping of Things to Come" é um dos melhores livros do mundo sobre o assunto e eles são alguns dos mais estratégicos pensadores no movimento da igreja emergente-missional.

De todos esses livros, salvo meu engano, o único que possui tradução em português é o Revolution, do George Barna. Lançado por aqui com o nome de Revolução pela Abba Press. Se alguém souber de outro, por favor, me avise, pois este eu já tenho.

A Herança

sexta-feira, 6 de junho de 2008

"Já transferi todos os meus bens para minha família. Existe, porém, uma coisa mais que eu gostaria de oferecer a meus filhos: a fé cristã. Com ela, poderiam ser ricos, mesmo que eu não lhes tivesse dado nenhum centavo. Sem essa fé cristã, eles seriam pobres, mesmo que eu lhes tivesse dado o mundo inteiro." - Patrick Henry, político norte-americano do século XVIII
Retirado do blog Missão Virtual.

O Presidente Improvável

W

Já foi divulgado o primeiro teaser poster de "W.", a cinebiografia sobre o presidente estadunidense George W. Bush dirigida pelo três vezes ganhador do Oscar Oliver Stone, que também dirigiu outros belos filmes como Platoon e JFK, e foi o roteirista de Scarface. O poster reúne frases absurdas ditas pelo presidente dos Estados Unidos. Algumas delas (traduzidas livremente por mim) são:
"Eu sei que a espécie humana e os peixes podem coexistir pacificamente."
"Nosso inimigos são inovadores e bem equipados, e nós também. Eles não param de pensar em novas formas de prejudicar nosso país e nossas pessoas, e nós também não."
"Eu estou honrado em apertar a mão de um bravo cidadão iraquiano que teve sua mão cortada por Saddam Hussein."
Não sou profundo conhecedor da cultura americana, tampouco de sua política, mas me intriga o fato de seus líderes republicanos levantarem bandeiras de valores cristãos para justificar seus atos presidenciais nada cristãos.

O filme tem estréia prevista nos EUA para o fim do ano, logo após as eleições presidenciais dos gringos.

Para Enxergar Apague a Luz

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Chama a atenção a forma criativa e interessante com que as agências de publicidade atendem seus clientes do terceiro setor. A interatividade que algumas dessas peças publicitárias geram, trazem reflexão e relevância à idéia na qual a ONG está engajada.

O Brainstorm #9 trouxe recentemente uma campanha criada pela EuroRSCG para a CERCA (Centro de Referência Contra o Abuso Infantil). A criatividade no formato dos anúncios apenas aumenta o impacto das imagens. Para entendê-los, é preciso apagar a luz. Os anúncios foram impressos com tinta fluorescente, e apenas no escuro toda a imagem é revelada.

No escuro, os anúncios trazem a assinatura: “Pedofilia. Você pode não ver, mas pode estar acontecendo”.

Veja abaixo as peças.

CERCA
CERCA
CERCA

Versão Mística de Umbrella

terça-feira, 3 de junho de 2008

Não pude deixar de compartilhar com vocês esse "oceano mui profundo" de vídeo que nos presenteia com a versão "mística" da música Umbrella da cantora Rihanna.

Fico sem palavras diante dele (o vídeo, claro). Será isso graças ao misticismo contido nele? Assistam! É muito bom. Traz "sentido à nossa vida".

Levitas na Forca

– Agora só falta escolher o nome para a banda.
– Isso é fácil. Meu irmão tem o dom de achar nomes legais na Bíblia.

Para muita gente do rebanho, a Palavra de Deus funciona como uma espécie de coleção de livros com múltiplas utilidades. O pastor vê o povo abatido e decide pregar sobre o valor da fé. Basta uma Chave Bíblica em mãos para literalmente abrir os textos que serão “encaixados” em sua mensagem dominical.

No ministério de música, o expediente é usada com pobreza similar. A escassez de referências neotestamentárias sobre música praticamente empurrou alguns para o Antigo Testamento. Com o mesmo tipo de método preguiçoso que caracteriza a preparação de mensagens de alguns pregadores, bastou pinçar um versículo ali e outros acolá para “restaurar” o ministério levítico.

A estratégia tem-se revelado bem-sucedida, afinal boa parte dos músicos não conhece o que toca, não analisa o que canta e não reflete sobre o que diz crer. A categoria tem uma garganta hipertrofiada que lhes permite deglutir heresias de calibre variados. Brigam com a liderança por causa de sapos minúsculos, mas abrem a boca (e a guarda) para engolir teorias pra lá de questionáveis.

A maioria dos pretensos levitas desconhece princípios elementares das Escrituras. Afinal, é bem mais fácil usar expedientes cômodos como empunhar um shofar ou batizar a banda com a palavra “arca”. Da aliança, não a de Noé, ressalte-se. Desconheço levitas que em suas igrejas exerçam função de juízes (Dt 17.8,9) ou sejam responsáveis por zelar pela saúde dos quem têm lepra (Dt 24.8), por exemplo.

Com uma espécie de toque de Midas ao contrário, para a tribo de incautos a Bíblia deixou de ser fonte de inspiração ilimitada para tornar-se mera camisa-de-força. Em “ministrações” lamurientas, há quem confesse querer “ir além do véu”. Na verdade, o tecido que lhes venda os olhos parece ser ainda mais espesso que aquele rasgado de cima a baixo no momento da morte do Senhor. O triste é que não temos Saramagos ou Meirelles para transformar esse tipo de cegueira em arte...

Ululante lembrar que o arcabouço frágil reflete-se na produção musical fugaz e medíocre. Em certas plagas, começam a aparecer soluções um tanto inusitadas para contornar o problema da falta de inspiração (e transpiração). No ano passado, uma Igreja Metodista de Chicago usou U2 durante a celebração da Ceia, repetindo o que havia acontecido em várias igrejas, incluindo a emblemática Hillsong Church, na Austrália.

No início de maio, o set list na igreja NewSpring Church incluía I surrender all (Tudo entregarei) e The best of you, do Foo Fighters. Aqui no Brasil, na semana seguinte as crianças da Ibab se prepararam para homenagear as mamães ao som de uma curta e elegante versão instrumental de Eu sei que vou te amar (Tom Jobim / Vinicius de Moraes).

Oro com fervor para que os levitas brasileiros jamais abracem esse tipo de estratégia. A julgar pelo mau gosto recorrente, certamente introduziriam nos cultos as obras poéticas de Sandy & Júnior e Amado Batista. Tarimbados em criar extravagâncias supostamente bíblicas, certamente evocariam o nome um tanto “eclesial” do cantor brega goiano. Gol contra para os presbiterianos que não têm seu “amado”. =]

Na década de 80, Steven Patrick Morrissey cantava sobre o pânico instalado nas ruas de Londres e de Birminghan. No final de Panic, canção do álbum Rank, a sentença contra os DJs era explicitada:

Because the music that they constantly play
It says nothing to me about my life
Hang the blessed D.J.

Porque as músicas que eles sempre tocam
Não me dizem nada sobre a minha vida
Enforquem o abençoado DJ
Tomo emprestado os versos dos Smiths para inspirar minha oração pelos levitas, rogando que Deus lhes abra os olhos do coração e as janelas da alma. No patíbulo, uma união simples já resolve tudo. Basta trocar “a corda” por “acorda”. Acooordem, levitas! Nossos ouvidos lhes serão eterna e ternamente gratos.

Texto de Sérgio Pavarini via Cristianismo Criativo.